sábado, 28 de dezembro de 2013






Tempo Certo

De uma coisa podemos ter certeza:
de nada adianta querer apressar as coisas;
tudo vem ao seu tempo,
dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo e aí acontecem
os atropelos do destino,
aquela situação que você mesmo provoca,
por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer:
Qual é esse tempo certo?

Bom, basta observar os sinais.
Quando alguma coisa está para acontecer
ou chegar até sua vida,
pequenas manifestações do cotidiano
enviarão sinais indicando o caminho certo.
Pode ser a palavra de um amigo,
um texto lido, uma observação qualquer.
Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará
de colocar você no lugar certo,
na hora certa, no momento certo,
diante da situação ou da pessoa certa.

Basta você acreditar que nada acontece por acaso. Talvez seja por isso que você esteja
agora lendo estas linhas.
Tente observar melhor o que está a sua volta.
Com certeza alguns desses sinais
já estão por perto e você nem os notou ainda.
Lembre-se, que o universo sempre
conspira a seu favor quando você possui um
objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.
Paulo Coelho

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013






A Afinidade


Não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente também. Não importam o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades: quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que ele foi interrompido, ontem ou há 40 anos.
                                 
É não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo sobre o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial. É rara. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
                                 
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro de sua boca diante de alguém com quem tem afinidade. É ficar de longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.

É ficar conversando sem trocar uma palavra. É receber o que vem do outro
com uma aceitação anterior ao entendimento. É sentir “com”. Nem sentir “contra”, nem sentir “para”, nem sentir “pelo”.
                                 
É sentimento singular, discreto. Não precisa nem do amor. Pode existir quando ele está presente ou quando não está. Pode existir a quilômetros de distância. É adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, até de respirar. É linguagem secreta do cérebro, ainda não estudada.
                                 
Além de prescindir do tempo e ser a ele superior, ela vence a morte porque cada um de nós traz afinidades ancestrais no inconsciente e que se prolongam nas células dos que nascem de nós e vão para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes mesmo mortos (mortos?) há tantos anos. É ter estragos semelhantes e iguais esperanças permanecentes. É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
                                 
É retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo da separação. Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. Sensível é a afinidade! É exigente, apenas de uma coisa: que as pessoas evoluam de forma parecida. Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

"Ela nasceu na estação das Flores, tem um perfume nos sonhos e muito mais pétalas do que raízes. Ela tem um jeito desajeitado de sentir alto, de ser muito, de estar o tempo todo de braços dados com o sorriso. Ela sabe de cor a pose que a liberdade faz, tem uma doçura nos pensamentos e um encantamento urgente por tudo que vem de dentro. Ela tem mira e tem o arco e a flecha na mão, mas o alvo, tantas vezes é uma miragem, uma armadilha da intuição. Mesmo assim ela acredita, é doce e inquieta, brinca de existir como quem não tem medo do abismo. Atravessa mares, olhares, faz pontes em corações partidos. Ela tem arte na veia, cor de pôr do sol e um coração vivido. Chora de tanto rir, brinca de fotografar a vida fazendo abrigo nos breves instantes de felicidade. Tudo que mora dentro dela é muito inteiro pra ser metade..."
Lilian Vereza



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Vai passar

Li esse texto do Caio Fernando Abreu e achei que caiu como uma luva pra mim...uma linda semana a todos!!!




"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã , mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca" . Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos . E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência . Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência" . E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer . E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio . E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho . Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça. Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa. Já não é tempo de desesperos..." (...)



domingo, 17 de novembro de 2013

PARA DIZER ADEUS




não sou para as paredes
sou meu país aberto em largas paisagens
onde todo verde é teto e lados

leveza da palha a brisa toca
onde tudo é há-berto
paredes-conceitos nada meus
sou meu povo nativo que deita sem pecado
e levanta sem crises moralistas
de crenças importadas
: áridas

sou a abundância  das diversas frutas
e me encanta a beleza das diversas cores
hoje acordei mirando a parede na garganta
chegou o tempo de deixar de ser

um abrigo sobre as árvores de frente para o mar
dentro da floresta e todo som da mata é para saudar
a alegria da demolição das paredes

sol-
idão é reencontro


Retirado do blog DEDOS NÃO BROCHAM
Postado há 22nd October 2012 por Alessandra Safra

RETORNO








Eu ando me recuperando da distância que eu estava de mim. Busco na luz do sol e nas águas do mar um caminho para estar cada vez mais perto do que sou e tudo isso tem me feito um bem enorme.

Denise Portes

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Pra vc!





Alguém quando passa pela nossa vida se torna especial ou não...
Tudo no meu passado foi especial e de muita importância pra mim.
Fui intensa, irritante, chata, possessiva, tudo de bom e de ruim,
Mas fui eu mesma. Infelizmente nada acontece como planejado
e tudo foi escorrendo por entre o dedos.
Mas em tudo se tira uma lição, a dor e o sofrimento nos fazem crescer
E nos mostram um caminho certo a seguir e estou tentando fazer essa caminhada,
Tenho amigos que estão junto comigo, tenho trabalho que me chama pra responsabilidade,
e uma familia que precisa muito de mim.
A vida não para e me sinto cansada, sorrindo por fora e um pouco quebrada por dentro, mas suficientemente forte pra continuar.
O que me faz sorrir? Lembrar das coisas e de pessoas que me fizeram feliz, de momentos maravilhosos e principalmente de ver que alguns podem e devem ser felizes de novo.
Fico aqui na torcida pelo o amor e pela felicidade que não foi pra mim, mas acontece pra pessoas especiais como vc!
Uma vez especial, especial sempre...essa certeza eu tenho!
Beijos, Ana!